
Febre nas crianças; quando devo medicar?
julho 19, 2024A introdução alimentar é um dos momentos que geram muita ansiedade e expectativa dos pais, principalmente os de primeira viagem. Além de muitas dúvidas, todos querem fazer do jeito certo e garantir os melhores nutrientes. Nos últimos tempos, no entanto, um tema tem ganhado espaço nas redes sociais, especialmente no TikTok, o chamado método GAPS. Mas será que essa abordagem é segura para os bebês?
Nas redes sociais, você vai se deparar com especialistas, inclusive nutricionistas, falando sobre os benefícios do método GAPS (do inglês Gut and Psychology Syndrome). Mas, afinal, como seria essa alimentação? Essa é uma dieta altamente restritiva que propõe a exclusão de diversos grupos alimentares, como frutas, grãos e leguminosas. Em algumas fases, a alimentação é baseada principalmente em caldos e preparações bastante limitadas.
Embora seja divulgado como uma estratégia para melhorar a saúde intestinal e até o desenvolvimento neurológico, o método não possui comprovação científica, especialmente quando aplicado a bebês saudáveis.
Por que não usar na introdução alimentar?
A adoção de dietas restritivas nessa fase pode trazer consequências importantes. Durante os primeiros anos de vida, o organismo do bebê precisa de uma grande variedade de nutrientes para garantir crescimento e desenvolvimento adequados. Entre os principais riscos do método GAPS na introdução alimentar, estão:
- Deficiências nutricionais importantes;
- Prejuízo no ganho de peso e estatura;
- Impactos no desenvolvimento neurológico;
- Relação alimentar prejudicada no futuro.
Além disso, práticas prolongadas com alimentação limitada, como meses focados apenas em caldos, são incompatíveis com as necessidades nutricionais dessa fase. As crianças precisam conhecer desde o início diferentes sabores e texturas, além de ter um cardápio variado.
O que dizem as sociedades médicas?
Entidades reconhecidas, como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Academia Americana de Pediatria (AAP), não recomendam o uso de dietas restritivas na introdução alimentar. Pelo contrário, as diretrizes recomendam que o bebê receba uma alimentação variada, equilibrada e baseada em evidências científicas.
A SBP, por exemplo, orienta que a introdução alimentar seja iniciada após os 6 meses de vida, momento em que o bebê já apresenta sinais de prontidão, como sustentar a cabeça e demonstrar interesse pelos alimentos. Até essa fase, o aleitamento materno exclusivo é o padrão ouro e deve ser mantido como principal fonte de nutrição até pelo menos o primeiro ano, podendo se estender até 2 anos ou mais. Nos casos em que a amamentação não é possível, a fórmula infantil é a alternativa segura. A alimentação complementar, portanto, não substitui o leite nesse período, mas o complementa, contribuindo para o desenvolvimento nutricional e sensorial da criança.
As diretrizes reforçam que a alimentação deve ser variada desde o início, incluindo diferentes grupos alimentares, sem restrições desnecessárias. A alimentação complementar deve incluir:
- Frutas
- Legumes e verduras
- Cereais e tubérculos
- Leguminosas
- Proteínas (como carnes e ovos)
A SBP também orienta a evitar alimentos ultraprocessados, açúcar, mel e excesso de sal no primeiro ano de vida. Outro ponto central é o respeito ao comportamento alimentar da criança, com práticas responsivas que valorizem os sinais de fome e saciedade. Dietas restritivas, como aquelas que excluem grupos alimentares sem indicação clínica, não são recomendadas, pois podem comprometer o crescimento e o desenvolvimento infantil.
Vale lembrar que vídeos que sugerem soluções milagrosas, como “substituir a amamentação” por métodos alternativos, não têm respaldo científico e podem colocar a saúde da criança em risco.
Apesar da popularidade nas redes sociais, o método GAPS não é indicado para a introdução alimentar de bebês. Pelo contrário: pode comprometer a nutrição e o desenvolvimento infantil.
A melhor abordagem continua sendo aquela baseada em ciência: alimentação variada, equilibrada e adequada para cada fase do crescimento. Lembre-se: antes de adotar qualquer estratégia alimentar, é fundamental buscar orientação com um pediatra.






